Placebo apareceu no britpop como um espelho rachado: Brian Molko cantava desejo, vício e isolamento com voz de lâmina, enquanto guitarras nervosas recusavam o conforto do hino nacional britânico.
Dos ataques compactos do início à eletrônica sombria de Sleeping with Ghosts e à maturidade ferida de Never Let Me Go, a banda fez do desconforto uma linguagem pop. Suas canções não pedem pertencimento: registram o momento em que pertencer já parece uma forma de perda.
Por que ouvir Placebo?
”Um catálogo de cicatrizes dançantes para quem desconfia de toda felicidade pronta.
Faixas essenciais
Every You Every Me
Without You I'm Nothing
The Bitter End
Sleeping with Ghosts
Running Up That Hill
Covers
Pure Morning
Without You I'm Nothing
Special Needs
Sleeping with Ghosts
Fases da carreira
1996–
2000
Corpos elétricos numa Londres sem saída
O trio converte ambiguidade sexual, raiva adolescente e glam decadente em rock alternativo de gancho imediato. Cada canção parece um bilhete deixado no bolso de uma jaqueta roubada.
2003–
2006
A discoteca dos fantasmas
Sintetizadores e produção mais lustrosa não apagam a fricção. O Placebo encontra um pop noturno, sensual e ansioso, onde a pista de dança funciona como sala de espera para o colapso.
2009–
2013
Depois da febre, o ruído
Com formação renovada e cicatrizes expostas, a banda procura amplitude sem abandonar o desconforto. São discos de reconstrução, como prédios erguidos sobre a memória de um incêndio.
2022–
A sobrevivência tem outro timbre
Never Let Me Go não tenta recuperar a juventude. Ele olha para trás sem nostalgia fácil, preservando o veneno melódico e trocando urgência por uma espécie de lucidez escura.
