Paul McCartney atravessou o século como uma oficina ambulante de melodia. Depois dos Beatles, recusou a estátua e voltou ao barro: o caseiro McCartney, a ferida luminosa de Ram, a aposta comunal dos Wings, o triunfo de Band on the Run.
Entre pop, rock, eletrônica doméstica, standards e memórias tardias, sua obra solo mostra um compositor que nunca parou de testar a própria lenda contra o som de uma canção nascendo.
Por que ouvir Paul McCartney?
”A melodia, em McCartney, parece lembrar do futuro antes que o mundo consiga acompanhá-la.
Faixas essenciais
Wonderful Christmastime - Edited Version / Remastered 2011
McCartney II
FourFiveSeconds
FourFiveSeconds
Band On The Run - 2010 Remaster
Band on the Run
Wonderful Christmastime - Full Length Version / Remastered 2011
McCartney II
Say Say Say - Remastered 2015
Pipes of Peace
Fases da carreira
1970–
1971
A casa depois do império
O ex-Beatle desmonta o monumento no gravador doméstico e na fazenda, trocando a máquina pop por canções íntimas, tortas, cheias de perda e liberdade recém-descoberta.
1971–
1973
Wings aprende a voar com o motor falhando
A banda nasce sob desconfiança, errando em público até transformar precariedade em músculo. O pop volta a ter estrada, gasolina e uma vontade quase teimosa de vencer.
1975–
1976
O circo de Wings no topo da colina
McCartney converte Wings em espetáculo de arena: riffs elegantes, coros solares e a sensação de que o melodista encontrou uma segunda praça pública para governar.
1978–
1979
O fim dos anos setenta rangendo nos amplificadores
Entre polimento pop e nervo new wave, Wings encara a ressaca da década. As canções ainda sorriem, mas há ferrugem nas bordas e pressa no corredor.
1980–
1984
Sintetizadores, fantasmas e a pop star solitária
Do laboratório eletrônico caseiro ao luto por Lennon e ao pop global dos duetos, McCartney soa brilhante e desamparado, como rádio ligado numa casa grande demais.
1986–
1989
O artesão contra a vitrine dos oitenta
A produção da época tenta enquadrá-lo, mas ele responde com curiosidade, memória russa e uma reaproximação crítica à canção pop de autor.
1993–
1999
Entre a estrada, a antologia e a ferida limpa
A maturidade chega como revisão e impulso: canções de ofício, reconciliação com a história beatle e rock de raiz para espantar solenidades.
2001–
2007
Depois da tempestade, a canção em primeiro plano
A vida pessoal pesa, mas a escrita se afia. McCartney troca excesso por arquitetura emocional, deixando a melodia carregar cicatriz, elegância e sombra.
2012–
2018
O velho moderno canta para espelhos diferentes
Standards, produtores jovens e ambição pop mostram um artista recusando o museu. Ele visita o passado sem morar nele e ainda procura outra porta.
2020–
2026
O quarto, a pandemia e Liverpool no retrovisor
O ciclo final até aqui recolhe o homem ao estúdio e à memória. Sozinho ou olhando para a infância, McCartney transforma idade em textura, não epitáfio.
Artistas relacionados
Projetos derivados
Derivada de




