Os Rolling Stones transformaram o blues americano em uma língua de insolência inglesa, suja de rua, sexo, medo e ironia. Desde 1962, saíram dos clubes de Londres para virar uma máquina de mitologia popular: Brian Jones como fantasma fundador, Jagger e Richards como pacto elétrico, Charlie Watts como pulso moral.
Do R&B cru ao exílio decadente dos anos 70, do estádio global ao renascimento tardio, a banda fez do rock um teatro de sobrevivência.
Por que ouvir The Rolling Stones?
”Ouvir os Stones é encostar o ouvido no momento em que o blues virou contrabando, pose, ameaça e memória coletiva.
Faixas essenciais
Paint It, Black
Aftermath
Gimme Shelter
Let It Bleed
Beast Of Burden - Remastered 1994
Some Girls
Start Me Up - Remastered 2009
Tattoo You
Sympathy For The Devil
Beggars Banquet
Fases da carreira
1964–
1965
O evangelho sujo de Richmond
A banda ainda corre atrás dos mestres negros americanos, mas já transforma covers e R&B em uma assinatura de arrogância juvenil e perigo britânico.
1966–
1967
Flores negras no Swinging London
A composição própria explode, o pop psicodélico entra pela porta lateral e a banda descobre que pode pintar o rádio com desejo, deboche e paranoia.
1968–
1972
O pacto no cruzamento
A sequência canônica: blues, gospel, country e demônio social em discos que parecem escritos entre uma revolta de rua e uma ressaca sagrada.
1973–
1976
Exílio, luxo e ferrugem
A grande máquina ainda ronca, mas o excesso vira assunto. Entre funk, soul e decadência, os Stones negociam com a própria lenda.
1978–
1983
A navalha da pista e do estádio
Ron Wood já é parte do sangue da banda, a disco e o punk pressionam de fora, e os Stones respondem com concisão, cinismo e músculo radiofônico.
1986–
1997
Sobreviver ao próprio nome
Entre tensões internas e turnês gigantes, a banda troca a urgência pela engenharia da permanência, com lampejos de veneno antigo.
2005–
O último gole no copo quebrado
Os discos ficam raros, a morte de Watts pesa, mas a banda volta ao blues e depois ao presente como quem prova que a história ainda respira.
