Graham Coxon fez da guitarra um bicho doméstico que morde o sofá. Fora do Blur, sua obra solo percorre lo-fi, punk, folk, psicodelia e power pop com a inquietação de quem prefere a falha humana ao acabamento perfeito.
Os primeiros discos soam como fitas encontradas num quarto desarrumado; Happiness in Magazines abriu uma janela pop sem domesticar o ruído. Coxon continua escrevendo como quem testa se a canção aguenta ficar de pé sem maquiagem.
Por que ouvir Graham Coxon?
”Guitarras que tropeçam, sangram e ainda encontram um refrão no escuro.
Fases da carreira
1998–
2002
Fitas cassete contra a respeitabilidade
Coxon desmonta o verniz do britpop com gravações ásperas, folk torto e explosões punk. É o som de uma casa cheia de instrumentos, ressaca e ideias que não aceitam fila.
2004–
2006
O refrão sai para tomar ar
A parceria com Stephen Street dá foco e volume às canções. O punk continua ali, mas agora encontra melodias grandes o bastante para escapar do quarto sem perder a estranheza.
2009–
2012
Canções para um homem em movimento
Entre a narrativa acústica de The Spinning Top e o nervosismo eletrônico de A+E, Coxon troca de pele sem abandonar sua vocação para melodias imperfeitas e ataques súbitos de guitarra.
2026–
O arquivo ainda respira
Castle Park recupera gravações de outra década sem cheiro de peça de museu. O tempo age como distorção: preserva a intimidade e revela o quanto Coxon sempre escreveu contra a moda.

