Thundercat - Distracted

Distracted

5º álbum de estúdio​

Era

-

8.2

Nota média
de sites de crítica

Baixo cósmico em modo sóbrio

Distracted soa como se Thundercat tivesse trocado a nave espacial de fusion por um conversível de luxo voando baixo sobre Los Angeles à meia-noite. É um disco menos bêbado de ideias e mais sóbrio na execução, sem perder o humor torto, a melancolia cósmica e aquele baixo que entra em cena como protagonista de anime.

O grande truque aqui é Greg Kurstin dar polimento sem esterilizar o caos: as músicas têm refrões mais claros, curvas menos bruscas e um brilho pop que às vezes veste o álbum como um terno perfeito, às vezes aperta demais.

A crítica, no geral, comprou a evolução, elogiando a humanidade, a coesão e a vulnerabilidade do disco; as ressalvas ficaram para alguns momentos mais comportados, quando a estranheza deliciosa de Thundercat parece estacionar em vaga de shopping.

Destaques

3 – She Knows Too Much
2 – No More Lies
4 – I Did This To Myself

Menos ouvidas

12 – Pozole
9 – Walking on the Moon

Fatos interessantes

• É o primeiro álbum de estúdio de Thundercat em seis anos, desde It Is What It Is, de 2020.

• Greg Kurstin divide a produção executiva com Thundercat e substitui, na prática, Flying Lotus como principal arquiteto sonoro do disco.

• “No More Lies”, com Tame Impala, saiu bem antes do álbum, em 2023, e acabou sendo incorporada ao repertório final.

• “She Knows Too Much” traz uma participação póstuma de Mac Miller, amigo próximo de Thundercat e figura emocionalmente central na fase mais recente do artista.

• Em entrevista, Thundercat ligou o processo criativo do disco à sobriedade, ao boxe e à tentativa de se “reaprender” sem a bebida.

• O universo lírico do álbum passa por luto, burnout, hiperconectividade e relacionamentos, mas sempre com piadas internas, cultura pop e escapismo nerd no meio do caminho.

• “Anakin Learns His Fate” nasceu diretamente da obsessão de Thundercat por Star Wars; SpongeBob e Star Trek também apareceram como “distrações” úteis no processo criativo.

• A recepção inicial foi bem forte: no Metacritic, o álbum estreou com 82/100 e oito críticas positivas contabilizadas.

• Parte da crítica destacou que o disco é mais coeso e acessível do que trabalhos anteriores, enquanto outra parte sentiu falta de alguns desvios mais malucos da era Drunk/Flying Lotus.

• O fechamento com “You Left Without Saying Goodbye” foi apontado como um dos momentos mais crus e emocionais do álbum.

Produção

Kenneth Charles Blume III, Stephen Bruner, Brian D’Addario, Michael D’Addario, Flying Lotus, Greg Kurstin, Kevin Parker

Mudança de line

Como Thundercat opera mais como um projeto solo do que como uma banda fixa, a principal mudança em relação a It Is What It Is não está na “escalação” central, mas no círculo criativo: Flying Lotus deixa de ser o cérebro dominante da produção e aparece só em duas faixas, enquanto Greg Kurstin assume papel central e coexecutivo, deixando o disco mais enxuto, pop e melódico. Entre os convidados, entram A$AP Rocky, Channel Tres e Willow, enquanto Mac Miller retorna de forma póstuma em uma faixa finalizada com o aval do espólio.

Formação

Stephen Bruner – voz, baixo elétrico

Músicos adicionais
Greg Kurstin, Dennis Ham, Taylor Graves – teclados
JD Beck – bateria
Domi Louna – bateria, percussão
Gerald Albright – saxofone
Jordan Katz, Vikram Devasthali, Maurice Brown – trompete
Juliane Gralle – trombone
Dan Reckard – guitarra
Beck – voz, guitarra
Flying Lotus – programação, produção
Kevin Parker – voz
Mac Miller – voz
Lil Yachty – voz
A$AP Rocky – voz
Channel Tres – voz
Willow Smith – voz
Brian D’Addario, Michael D’Addario – voz, guitarra, teclados

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