David Byrne - Feelings

Feelings

5º álbum de estúdio​

Era

Psicologias Íntimas (1992–1997)

7.3

Nota média
de sites de crítica

Colagens, colaborações e caos sonoro

Há no álbum Feelings uma atmosfera de patchwork sonoro, como se cada faixa fosse uma colagem de estilos — um pouco de art rock temperado com trip-hop, worldbeat e até country-punk. Imagina uma jam session onde Byrne puxa para cult-pop e Morcheeba chega com batidas suaves, Black Cat Orchestra embala com cordas circulares, e Devo canetando grooves robóticos dissonantes.

É como explorar um museu musical onde cada sala é ambientada por músicos diferentes — um truque que traz densidade e desconforto criativo, mas que também torna tudo deliciosamente imprevisível. Ele mistura gêneros sem cerimônia — jungle encontra c/w, drones indianas passeiam por Cajun, tudo amarrado com o senso experimental e bem-humorado de Byrne. O clima é tanto cerebral quanto divertido — minimalista por vezes, expansivo outras —, e deixa transparecer uma liberdade de criação que escancara o que Byrne afirmou sobre gravar em estúdios caseiros, com pressing criativo e sem perder a qualidade sonora. O resultado é um álbum que pulsa entre o refinamento e a estranheza instigante, sinalizando um Byrne em busca de paisagens musicais híbridas e sem mapa fixo.

Destaques

3 – A Soft Seduction
4 – Dance on Vaseline
2 – Miss America

Menos ouvidas

12 – The Civil Wars
13 – They Are in Love

Fatos interessantes

• A capa foi criada por Stefan Sagmeister com bonecos de Byrne esculpidos, representando quatro emoções — um estúdio caseiro surreal da arte.

• As primeiras 50 000 cópias vieram em embalagem recortada (die-cut), chamando atenção visualmente.

• Byrne gravou com músicos distribuídos entre Londres, Seattle, L.A., Miami e Nova York — um disco verdadeiramente global e colaborativo.

• A faixa “Wicked Little Doll” tem participação de Gerald Casale e Mark Mothersbaugh do Devo, emprestando uma aura robótica e cômica.

• “Miss America” recebeu teclados e programação de Lester Mendez, fortemente influenciado pela cena urban pop da época.

• A gravação com Black Cat Orchestra trouxe textura orquestral rica em “They Are In Love”, gravada ao vivo com Byrne em Seattle.

• Byrne comentou que o disco é como “uma versão esquizofrênica da minha cabeça, renderizada por muitas bandas diferentes”, capturando o espírito colaborativo e fragmentado do projeto.

• Reflete a crença de Byrne de que equipamentos caseiros estavam se igualando a estúdios grandes, democratizando a criação musical.

• O álbum é frequentemente considerado experimental, rompendo com um som solo mais coeso dos discos anteriores.

Produção

David Byrne, Morcheeba (Paul Godfrey, Ross Godfrey, Pete Norris), Black Cat Orchestra, Gerald Casale, Camus Celli, Joe Galdo, Lori Goldston, Andres Levin, Mark Mothersbaugh, Hahn Rowe, Mark Saunders

Mudança de line

David Byrne expandiu dramaticamente o elenco de colaboradores. Diferente do álbum anterior, mais contido, Byrne trouxe uma diversidade de músicos e grupos — como Morcheeba, Black Cat Orchestra, Paula Cole, Betty Wright, e membros do Devo — ampliando tanto o instrumental quanto os estilos envolvidos. Essa pluralidade resultou numa sonoridade mais fragmentada e experimental, refletindo a ideia de colaborações fragmentadas e ecléticas.

Formação

David Byrne – voz, guitarra, teclados, sintetizador, loops

Músicos adicionais
Carlos Baptiste – violino;
Black Cat Orchestra – Lori Goldston, Russ Meltzer, Don Crevie, Scott Granlund, Kyle Hanson, Matthew Sperry, Joseph Zajonc, Ed Pias;
Ed Calle – saxofone;
Lester Mendez – teclados e programação em “Miss America”;
Gerald Casale – baixo e vocais de apoio em “Wicked Little Doll”;
Greg Cohen – baixo elétrico;
Paula Cole – vocais de apoio;
Sterling Campbell – bateria;
Joe Galdo – bateria e percussão;
Juliet Haffner – viola;
Nicholas Holland – cello;
Ashley D. Horne – violino;
Pierre La Roux – viola de fole;
Morcheeba (Skye Edwards, Paul Godfrey e Ross Godfrey);
Mark Mothersbaugh – sintetizador e samples em “Wicked Little Doll”;
Hahn Rowe – teclados;
Mark Saunders – teclados;
Dana Teboe – trombone;
Betty Wright – vocais de apoio

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