Indigo Park soa como Bruce Hornsby passeando por um parque de memórias com um piano numa mão e um livro de filosofia na outra. É daqueles discos que parecem acolhedores na superfície, mas vivem escondendo curvas tortas, harmonias enviesadas e letras que cutucam o passado com humor seco e melancolia elegante.
Em vez de repetir fórmulas, Hornsby monta um mosaico onde pop adulto, jazz, música de câmara e esquisitices muito bem calculadas dividem o mesmo banco da praça. “Ecstatic” brinca e rebola, “Silhouette Shadows” mastiga lembranças com um ar quase cinematográfico, e “Alabama” leva o disco para um terreno mais cerebral sem perder o coração.
É um álbum de veterano inquieto: menos preocupado em soar jovem e mais interessado em soar vivo, estranho e afiado.
1 – Indigo Park
2 – Memory Palace
5 – Ecstatic
7 – North Dakota Slate Roof
8 – Sliver of Time
• O álbum foi lançado em 3 de abril de 2026, com 10 faixas e cerca de 43 minutos de duração.
• A faixa-título “Indigo Park” saiu como primeiro single em 4 de fevereiro de 2026.
• “Ecstatic”, com Bonnie Raitt, foi o segundo single e nasceu de cantos ouvidos por Hornsby em jogos de basquete do filho na LSU.
• O disco foi gravado principalmente no lendário Sound City, na Califórnia, com complementos em Williamsburg, Virgínia.
• A capa usa a obra “Night Shadows”, de Edward Hopper, combinando perfeitamente com o clima de nostalgia urbana do álbum.
• Hornsby descreveu o repertório como um conjunto de canções que oscila entre luz e sombra, memória e fantasia, calma e fúria.
• O álbum tem participação póstuma de Bob Weir, além de convidados como Ezra Koenig, Bonnie Raitt, Blake Mills, Pino Palladino e Chris Dave.
• “Silhouette Shadows” foi destacada pela crítica como uma das composições mais fortes do disco, pela escrita autobiográfica e sinuosa.
• “Alabama” chamou atenção por seu lado mais dissonante e por referências à música clássica moderna, algo raro até para os padrões tortos de Hornsby.
• Segundo a imprensa, este é o quinto álbum seguido de Hornsby com participação do guitarrista Gibb Droll.
Bruce Hornsby, Tony Berg, Will Maclellan
Em relação a Deep Sea Vents, projeto assinado como BrhyM ao lado do yMusic, Indigo Park troca a lógica de “banda-parceira” por um disco mais pessoal e flexível, puxado por Hornsby e por músicos recorrentes do seu universo, como Gibb Droll, J.V. Collier, Chad Wright, John Mailander e J.T. Thomas. Saem do centro os arranjos camerísticos do yMusic como núcleo fixo; entram participações de peso como Bonnie Raitt, Ezra Koenig, Blake Mills, Pino Palladino e a participação póstuma de Bob Weir, reforçando o caráter de retrospectiva artística.
Bruce Hornsby – voz, piano, guitarra de 12 cordas, harmonium, Mellotron, baixo synth, dulcimer
J.T. Thomas – harmonium, Mellotron
J.V. Collier – baixo elétrico, contrabaixo acústico
John Mailander – fiddle, mandolim
Chad Wright – bateria, washboard, brushes
Gibb Droll – guitarra, guitarra barítono
Músicos adicionais
Bob Weir, Ezra Koenig, Bonnie Raitt, Z Berg – voz
Bob Weir, Blake Mills, Tony Berg – guitarra
Pino Palladino, Tony Berg – baixo
Chris Dave – bateria, percussão
Matt Perrine – sousafone
Craig Klein – trombone
Will Maclellan – programação, cello, contrabaixo acústico
Rob Moose – violino
C.J. Camerieri – metais