Marina Lima - Ópera Grunkie

Ópera Grunkie

18º álbum de estúdio​

Era

-

7.0

Nota média
de sites de crítica

Luto com neon e atrevimento

Ópera Grunkie não soa como um álbum feito para agradar saudosista de FM, e aí mora sua graça e também sua encrenca. Marina pega o luto, joga no liquidificador com eletrônica, spoken word, samba, reggaeton e um certo glamour torto de cabaré futurista, e entrega um disco curto, fragmentado e bem pouco domesticado.

Tem faixas que parecem bilhetes deixados na porta da geladeira às três da manhã, outras funcionam como pequenos rituais de sobrevivência. A perda de Antonio Cicero atravessa tudo, mas sem transformar o disco num velório de luxo: há desejo, ironia, comunidade e vontade de seguir em frente.

A crítica ficou dividida justamente aí — uns ouviram ousadia, outros ouviram dispersão — mas, goste-se ou não, Marina preferiu o risco ao piloto automático, e isso dá ao álbum uma estranheza viva que muita gente mais jovem e conservadora ao mesmo tempo simplesmente não consegue fabricar.

Destaques

8 – Olívia
2 – Partiu
6 – Um Dia na Vida

Menos ouvidas

12 – Finale (Brahma Chopin)
10 – Só Que Não

Fatos interessantes

• Ópera Grunkie foi lançado em 24 de março de 2026, como o 18º álbum de estúdio de Marina Lima.

• O disco tem 12 faixas e duração total de 31 minutos e 22 segundos.

• A obra foi dividida em três atos, reforçando a proposta teatral do projeto.

• O álbum é atravessado pela morte de Antonio Cicero, irmão e principal parceiro criativo de Marina, falecido em 2024.

• “Partiu” é uma regravação de uma música composta por Marina e já registrada antes em outra versão.

• “Olívia”, um reggaeton, foi escolhida para antecipar o álbum e sinalizar uma guinada pouco óbvia no repertório dela.

• “Collab Grunkie” reúne Laura Diaz e ainda inclui participação vocal de Mano Brown e um áudio de Fernanda Montenegro.

• “Um Dia na Vida” aproxima Marina de Ana Frango Elétrico, reforçando a ponte do disco com a cena brasileira mais nova.

• A recepção inicial foi bastante dividida: houve textos celebrando a reinvenção do álbum e outros tratando o disco como um trabalho confuso.

• A própria Marina reagiu publicamente a uma crítica muito dura publicada na imprensa, chamando o texto de raso e sem sensibilidade.

Produção

Marina Lima

Mudança de line

Como Marina Lima é uma artista solo, não houve uma “troca de integrantes” nos moldes de banda. A mudança mais marcante em relação a Novas Famílias foi a ausência de Antonio Cicero como parceiro vivo de criação, após sua morte em 2024, e a entrada de uma rede nova de colaboradores de gerações diferentes, como Ana Frango Elétrico, Adriana Calcanhotto, Laura Diaz, Mano Brown e Fernanda Montenegro, o que empurra o disco para um recorte mais coletivo, teatral e contemporâneo.

Formação

Marina Lima – voz

Músicos adicionais
Ana Frango Elétrico – voz
Adriana Calcanhotto – voz
Laura Diaz – voz
Mano Brown – voz
Fernanda Montenegro – voz falada
Eduardo Gianetti, Antônio Carlos Secchin e Fernando Muniz – vozes faladas

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