Paul Kelly - Seventy

Seventy

30º álbum de estúdio​

Era

Renovação e Reconhecimento (2012–Presente)

8.0

Nota média
de sites de crítica

Contos de 70 anos e uma vida inteira em canção

Em Seventy, Paul Kelly reveste‑se de cronista da própria vida e dos dias que passam, entregando canções como quem folheia um diário com rugas cada vez mais visíveis. O disco abre com “Tell Us a Story (Part One)”, como um convite para ouvir narrativas vividas e cheias de riso, dor, arrependimento e ternura. A seguir, temas como “The Body Keeps the Score” exploram as marcas que o tempo deixa no corpo e na memória, e “Happy Birthday, Ada Mae” é um afetuoso tributo à neta que herda este mundo turbulento.

O som percorre trilhas de folk, rock de câmara e arranjos acústicos limpos, remetendo por vezes ao melhor de Dylan ou Springsteen, mas sempre com a voz madura e firme de Kelly. Ao revisitar personagens antigos como Joe e Rita em “Rita Wrote a Letter”, há uma doce melancolia no ar — não se trata de nostalgia em si, mas de olhar para trás com humor e honestidade. Comparado ao álbum anterior mais diversificado em estilo, este trabalho é mais contido, mais reflexivo, porém ainda vibrante — como se o artista dissesse: “Ainda cargo as canções, ainda quero contar histórias”. É um raro teste de vitalidade artística aos 70 anos que se faz com elegância, peso e… leveza esperta.

Destaques

3 – Rita Wrote A Letter
4 – The Body Keeps The Score
7 – Happy Birthday, Ada Mae

Menos ouvidas

10 – Sailing To Byzantium
12 – I’m Not Afraid Of The Dark

Fatos interessantes

• O título “Seventy” faz referência direta aos 70 anos de Paul Kelly e ao marco de carreira atingido em 2025.

• O álbum foi descrito por Kelly como o seu “álbum mais variado até agora”.

• A canção “Rita Wrote a Letter” é uma sequência da célebre “How to Make Gravy” (1996), revisitando os personagens Joe e Rita três décadas depois.

• “The Body Keeps the Score” adapta o título de um livro sobre trauma (do autor Bessel van der Kolk) para uma canção sobre marcas invisíveis no corpo e na mente.

• A banda‑base que acompanha Kelly já o segue há muitos anos, conferindo uma química que outros artistas levam décadas a alcançar.

• O álbum abre e fecha com “Tell Us a Story (Part One)” e “Tell Us a Story (Part Two)”, como se fosse um ciclo de contação de histórias em dois atos.

• Em “Happy Birthday, Ada Mae”, Kelly escreve para a sua neta, reconhecendo que possivelmente não estará presente para todos os seus aniversários — há melancolia e ternura no par ao ritmo country‑fino.

• Embora trate de temas como envelhecimento e mortalidade, o álbum evita o tom sombrio e prefira uma celebração da vida vivida e das histórias contadas.

• Críticos já o consideram entre os trabalhos mais fortes de Kelly nas últimas décadas, o que é notável para um artista com uma discografia tão extensa.

• A capa do álbum faz alusão a uma icónica fotografia de Kelly de 1988, criando uma ponte visual entre o passado e o presente.

Produção

Paul Kelly, Steven Schram

Mudança de line

A novidade está no enfoque criativo e colaborativo com participação de vozes como Meg Washington e Rebecca Barnard.

Formação

Paul Kelly – voz, guitarra, gaita‑harmónica
Dan Kelly – guitarra, vocais de apoio, banjo
Ashley Naylor – guitarra
Cameron Bruce – teclados, órgão, piano, vocais de apoio
Bill McDonald – baixo elétrico
Peter Luscombe – bateria

Músicos adicionais
Meg Washington – vocais
Rebecca Barnard – vocais
Maddy Kelly – vocais de apoio
Alice Keath – vocais de apoio
Billy Miller – vocais de apoio

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