Morrissey - Make-Up Is a Lie

Make-Up Is a Lie

14º álbum de estúdio​

Era

Teatro do Ressentimento (2020–2026)

5.6

Nota média
de sites de crítica

Charme, cinismo e ferrugem

Morrissey volta como quem entra numa festa elegante usando terno impecável e carregando uma nuvem de mau humor particular. O som de Make-Up Is a Lie é polido, às vezes até sedutor, misturando synth-pop, chanson torta, glam e um pop de câmara que tenta soar majestoso.

O problema é que boa parte do disco parece andar em círculo, como se melodias bonitas estivessem presas num elevador com letras ressentidas e ideias que raramente chegam ao andar certo. “Amazona” e alguns trechos iniciais lembram o velho faro melódico de Morrissey, mas o álbum em geral soa menos como um grande retorno e mais como um artista brigando com o espelho, a imprensa e o passado ao mesmo tempo.

Há presença, voz e pose; falta, com frequência, a centelha que transformava drama em clássico.

Destaques

2 – Make-up is a Lie
3 – Notre-Dame
4 – Amazona

Menos ouvidas

10 – Lester Bangs
11 – Many Icebergs Ago

Fatos interessantes

• Este é o 14º álbum solo de estúdio de Morrissey e o primeiro desde I Am Not a Dog on a Chain, de 2020.

• O disco passou por uma longa novela: nasceu como Without Music the World Dies, depois virou You’re Right, It’s Time, até chegar ao título final Make-Up Is a Lie.

• A gravação começou em 2023, em La Fabrique Studios, em Saint-Rémy, na França.

• Joe Chiccarelli voltou a produzir Morrissey, retomando uma parceria importante da fase tardia da carreira solo.

• “Amazona” é cover do Roxy Music, uma escolha que combina perfeitamente com o lado mais glam e teatral do álbum.

• “Notre-Dame” ganhou atenção extra por causa de versos inicialmente associados a uma teoria conspiratória sobre o incêndio da catedral, depois alterados no lançamento oficial.

• O álbum saiu pela Sire, marcando um retorno simbólico de Morrissey ao selo historicamente ligado aos tempos de The Smiths.

• A crítica ficou bem dividida, mas a média geral foi morna, com mais avaliações “mistas” do que entusiasmadas.

• Record Collector foi mais generosa que parte da imprensa britânica mais dura, tratando o disco como um trabalho irregular, porém ainda interessante.

• Uma edição digital deluxe com faixas-bônus foi anunciada logo após o lançamento principal.

Produção

Joe Chiccarelli

Mudança de line

Em relação a I Am Not a Dog on a Chain, Make-Up Is a Lie marca uma troca sensível no entorno de Morrissey: saem nomes ligados ao ciclo anterior, como Mando Lopez, Boz Boorer e Roger Joseph Manning Jr., enquanto entram Camila Grey, Carmen Vandenberg e Juan Galeano; na bateria do álbum, Brendan Buckley grava no lugar de Matt Walker.

O motivo exato de cada troca não foi detalhado oficialmente, mas o disco nasceu de sessões refeitas e parcialmente regravadas entre 2023 e 2025, o que ajudou a consolidar essa nova configuração.

Formação

Morrissey – voz
Jesse Tobias – guitarra
Camila Grey – teclados e programação
Carmen Vandenberg – guitarra
Juan Galeano – baixo
Brendan Buckley – bateria

Se gostou, também vai gostar de...

Yumi Zouma - No Love Lost to Kindness
Indie pop

Yumi Zouma – No Love Lost to Kindness

Sofisticado e mais ousado, o quinto álbum de Yumi Zouma mistura indie pop, rock e vulnerabilidade emocional em músicas diretas e cheias de energia.

Outros álbuns do mesmo ano

Full House Brew Crew - Glasgow Grin
Groove metal

Full House Brew Crew – Glasgow Grin

Groove metal feroz com toques de metalcore e death melódico, riffs incisivos e energia intensa: Glasgow Grin é um ataque brutal e coeso.

Paleface Swiss - The Wilted (EP)
Beatdown hardcore

Paleface Swiss – The Wilted (EP)

EP curto e devastador que mistura beatdown, deathcore e tensão emocional, mostrando uma Paleface Swiss mais direta, sufocante e consciente.